Junho
Junho está mesmo aí e é um mês de grandes oportunidades — ou pode ser.
Os dias são mais longos, o tempo convida a sair, a fazer, a viver mais coisas. Mas se a “bateria interna” não estiver devidamente carregada, este mesmo movimento pode trazer exatamente o contrário do que procuramos: desorganização, cansaço, irritabilidade e uma sensação constante de culpa por nunca estar a fazer o suficiente.
Porque quando há muitas atividades e poucos momentos de pausa real — pausas que o sistema nervoso reconhece como descanso — o mês deixa de ser vivido como oportunidade e passa a ser vivido como performance. Mais agitação, menos presença. Mais estímulo, menos realização.
Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja “o que posso fazer em Junho?”, mas sim: onde vou escolher gastar a minha energia?
Existe aquilo a que se chama uma “janela de tolerância”, e ela é diferente de pessoa para pessoa, de criança para criança. Nem todos precisamos do mesmo ritmo, nem todos recuperamos da mesma forma.
No meu caso, por exemplo, tenho uma bateria social mais limitada. Talvez por ter sido filha única durante muito tempo, sinto que não consigo passar um fim de semana inteiro rodeada de pessoas sem precisar depois de momentos de silêncio e recolhimento. Caso contrário, fico como se estivesse sempre ligada a uma tomada, sem desligar verdadeiramente.
E está tudo bem assim.
Para este mês, a minha proposta — muito simples — é vivermos como “Casa Lenta”: menos excesso, mais intenção.
Escolher com cuidado onde colocamos a nossa energia. E permitir também o descanso sem culpa.
Desfrutar de estar só, de olhar o horizonte, de não fazer nada produtivo nesse tempo. Sem scroll, sem zapping, sem estímulos constantes.
Só respirar.
E aos poucos vais perceber: quando há espaço, há mais presença. Quando há presença, há mais vida.